TOCA DO GUARÁ


04/03/2011


Deixo aqui meus pensamentos, idéias, sentimentos, anseios, receios, desejos e realidades impostas por aqueles que um dia acreditaram em que o mundo poderia ser melhor.

A aqueles que acreditam que tudo pode mudar deixo meu recado, nada é por acaso e tudo aquilo que pode se tornar imutável será também irreversível perante seus olhos, porém uma luz dirá se estou errado...

A escuridão tem suas vantagens. Não precisa ter direção, não preciso olhar e nem sentir e com apenas um impulso sou capaz de mudar o mundo. Pelo menos o meu mundo...

O seu mundo pode estar uma droga, mas existe alguém que pode ajudá-la a mudar... Me dê uma gota de seu pensamento e eu te ensino a construir um mundo... e ser feliz!

 

Escrito por NI-GUARÁ às 09h58
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27/03/2005


            Segui rumo norte até que as corredeiras se desviaram de mim, dando lugar a um pântano com 30 cm de lama e mais 15cm de raízes de árvores. É uma visão impressionante como estas arvores se sustentam apesar de estarem suspensas da lama.

            Sentei em uma das milhares de raízes que existem ali, pois quatro horas de caminhada cansa até o mais forte dos lobos selvagens. Se bem que no Brasil não existem lobos, existem similares como o guará, o graxain, o cachorro do mato... são muitos nomes pra uma raça única de quadrúpede, alguns são fascinantes enquanto outros são quase que inúteis como o poodle, ou os de bolso como aqueles orelhudos que vem do México... até um chinchila é mais útil que eles.

            Peguei uma barra de chocolate pra morder enquanto descansava em cima das raízes. Parece até que estou sentado em uma porta de caverna, ou tocas bastante grandes entre lama e vegetal. Talvez eu até ache algum caranguejo pra comer aqui, já vi muitos... mas iguais aos que o Feijão pegava era quase impossível. Como um moleque daquela idade conseguia pegar caranguejos tão grandes.....Há, com cinco anos já era um caçador.

            Na terceira mordida senti um cala-frio... parecia que alguém me observara entre as árvores, mais ou menos à dez metros de onde eu estava, na minha frente. Forcei a vista pra ver quem era mas só conseguia ver o vulto de uma mulher baixinha com um cajado na mão..... e antes que eu pudesse focalizar a imagem uma coceira que irritava minha orelha.

            Como por instinto pulei no meio do lamassal e saquei a 9mms apontando...... 

            - AAAAAAAAAH..........

 

Escrito por NI-GUARÁ às 19h40
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            Depois de um tempo nosso amigo acorda, denovo...

-         Nhai, minha cabeça ta rodando... aliás, ta tudo rodando...

-         Está melhor Tico? – responde a dragoa fazendo ele parar de rodar.

-         Manheeeee, uma cobra! Mata!mata! – pulando em cima e chutando.

-         Não Tico, esse é o meu rabo!

-         Ahn...hehe...foi mal....então foi isso que aconteceu, agora eu to lembrando... eu morri?

-         Quase... eu sou sua segunda chance de voltar a ser o que era e se vingar. Eu sou o espírito do sonhar que acorda para aqueles que “morrem”(gesticula com os pequenos dedos) injustamente..... e também porque preciso de um favor.

-         Geralmente quando uma mulher pede um favor é encrenca, imagina um dragão fêmea... – coçando a cabeça -  AH! CADE  MEUS DEDOS? Aliás... CADE MEU CORPO?

-         Bom... eu esqueci de te falar. Quando eu trago alguém de volta ele vem na forma de um animal que reflita sua personalidade, seu caráter e seu espírito! E, modéstia parte, você ficou uma gracinha! – sorri .

-         GRACINHA?! OLHA PRA MIM... EU PAREÇO O GENÉRICO DO ZÉ CARIOCA! CE ACHA QUE EU VO APARECER DESSE JEITO PRO PESSOAL DO CIRCO?! ELES ....ELES....RIRIAM DE MIM!

-         Não vejo diferença nisso. Antes você se maquiava para isso, agora não precisa mais... – tentando otimizar a situação.

-         GRAAAANDE!  - simulando – E AÍ CENTURION! CE VIU COMO EU TO DIFERENTE? EMAGRECI TANTO QUE ENCOLHI.... AHN, AS PENAS? NAUM.... É QUE EU TROPECEI NUM CAMINHÃO DO IBAMA E ADIVINHA O QUE ELES TRANSPORTAVAM? PA-PA-GAIOOOOOOSSSSS.......NÃO... PERAÍ....O CHICOTE NÃO......

 

Escrito por NI-GUARÁ às 19h37
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01/03/2005


                                                                                                                                 

 

                Com o coturno meio folgado por causa de uma unha encravada, conferi meus equipamentos de caça antes de continuar o percurso, dois hectares de terra úmida e mata fechada não era o bastante para matar minha cede. Ainda sobrou  duas barras de chocolate que comprei na cidade, uma caixa de sucrilhos e quatro pedaços de carne seca. Evitei trazer panelas pq elas fazem muito barulho e não gosto de peso extra, já não basta minha consciência ser pesada pelo fardo que escolhi mas o prazer de esmagar o crânio com meus próprios pés do animal que matou minha filha é o suficiente, e espero que seja. O cantil ainda tem água para uns dois dias e seguindo o rumo do rio não vai ter problema. Talvez eu mate um jacaré ou uma sucuri para vender seu couro no mercado e comer sua carne, dá um bom lucro e bem preparado é um bom prato. Ahn, Milena...pq você não veio. A lanterna ainda tem pilhas mas trago uma lamparina no caso de acabar. Por sorte minha ainda é dia.

Peguei minha Colt Phyton, presente dado pelos colegas da academia por ter uma mira que só Deus poderia me explicar depois de ter perdido o olho direito; mas a cicatriz deixada pela cobra fala por si só. Conferindo o tambor guardei – a no cinturão, ao lado das duas 9mms que ganhei por melhor saque-rápido.

 Depois conferi meu velho “mata-pato”, uma Winchester ainda em bom uso marcada pelo tempo e  sangue de meu pai que morreu defendendo nossa pátria amada. O velho acertava uma mosca tomando café na padaria do seu Nelson à oito quarteirões da minha antiga casa, padaria que existe até hoje.

            Conferi se a bússola não oscilava e se o norte continuava norte. Engatilhei minha sub de estimação, carreguei o pente e levantei acampamento, e se meu mapa estiver certo, hoje começa minha vingança.

Escrito por NI-GUARÁ às 01h49
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                                                                                               FONTE: FRANCINE DESIGN.

             O escritório continuava o mesmo. Papéis espalhados para todo o lado em sua mesa, o computador ligado com uma tela de descanso do Garfield, sua coleção intocável de bonecas da Barbie feitas de porcelana por encomenda em cima do mostruário, seu canto alemão cheio de bebidas exóticas, tequilas, cervejas, rooms, vinhos e vodkas do mundo todo. Abrindo a cortina via-se a estátua da liberdade de frente, com sua tocha ao ar e seus livros como símbolo de liberdade, conhecimento e respeito. O sol brilhava entre as nuvens de outono e o frio era bem sugestivo para tomar uma xícara de chocolate quente.

           Rachel, apesar de ser muito jovem, tem a experiência de vida que muitas quarentonas gostariam de ter.

Sua aparência de colegial engana muitos corvos velhos a  procura de carne nova e seu cabelo inveja muitas modelos profissionais. Seu jeito tímido e profissional assusta muitas pessoas que acham que ela é ingênua, mas a verdade é que ela tem uma ótima professora, chefe e amiga que a trata como se deve tratar em um ambiente, não importa sua variação.

-         Aqui estão os relatórios da empresa Tekcorp, os formulários da nova casa noturna já foram enviados junto com o planejamento administrativo e a relação dos empregados estão nesta pasta, junto com os currículos dos empregados entrevistados. Deseja mais alguma coisa?

Sem palavras ela sorri, pega a pasta das mãos dela com os formulários. Mas a ética não a permite ficar quieta e indaga:

-         Como você consegue sempre me deixar sem fala às oito horas da manhã? Acordou inspirada? – sorri meio sem jeito.

-         Não senhora, é que minha noite foi boa. – pisca para ela.

-         Ah, então você vai me contar tudo na hora do almoço. –sorrindo. – Pode me trazer um capucchino com bastante creme?

-         Claro... à propósito, tem um pacote para a senhora que o entregador da loja de chocolates deixou.

-         Um pacote?

-         Sim. E tem até um cartão timbrado em ouro nele muito lindo!

-         Me traga, por favor, e espero que o cartão não tenha vindo aberto ou a caixa mordida, hein!

Sorrindo ela sai da sala e um minuto depois volta com um pacote embrulhado em um papel colorido cheio de estrelas, luas e sorrisinhos com um cartão prateado escrito a ouro, ou pelo menos parecia ouro.

-         Por enquanto é só Rachel, me traga o capucchino agora.

Pegando o cartão nas mãos e vendo a menina sair ela leu algo que a intrigava e rebatia na alma.

O cartão dizia: DE: ETERNIDADE.

                PARA: KATRINA.

Escrito por NI-GUARÁ às 01h45
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                 Enquanto nosso “pequeno Francisco” desmaiava a Caverna do Sonhar fazia jus ao nome com uma pequena ajuda mágica da DANI para explicar o que realmente aconteceu à cinco minutos atrás.

                 Dentro de seu trailer ele se pintava para o próximo espetáculo quando ouviu o dono do circo discutir com o malabarista. O cara tinha problemas com o salário e queria mais, só que o circo era comunitário e como toda entidade vivia de donativos e doações que o público dava. Ele fazia apresentações que nenhum homem havia feito antes, cuspia fogo e dançava com tochas em cima de uma corda à dez metros de altura, sem rede.

Ele insistia mas a palavra do Sr. Frantchesco  era forte e definitiva. Por causa de sua insistência Ricardo foi demitido e convidado a se retirar do circo. Olhando pela janela o menino viu a expressão do Ricardo... era de raiva e vingança.

Sem suspeitar de nada, Francisco colocou sua roupa de palhaço e saiu para o picadeiro. Atrás das cortinas ele observava a multidão que aplaudia Thurok, o homem mais forte do mundo, levantando um cavalo amarrado em uma corda suspensa por roldanas com os dentes enquanto Catarina, a bailarina, subia na pata de Minduca, um elefante africano de quase doze toneladas, para fazer uma gracinha. O público delirava de emoção, aplaudiam e gritavam até as mãos e a garganta ficarem com câimbra .

-         Chegou sua hora PALHAÇO TICO, faça-os rir como seu pai sempre fez! – com um beijo na careca e um apertão no nariz Sr. Frantchesco entrou no picadeiro pra anunciar a próxima atração.

Mas o destino do menino já havia sido traçado e não tinha como fugir. Ele viu o Ricardo colocar uma bala no canhão e mirando no Sr Frantchesco que anunciava a entrada do palhaço mais jovem e engraçado de todos os tempos. Desesperado ele pegou o escudo grande que fazia parte da fantasia de Centurion, o domador de leões romano, correu para proteger Sr. Frantchesco com o escudo e se jogou nele para tira-lo da mira da morte.

Ele conseguiu salvar Sr. Frantchesco mas o impacto da bala de canhão era muito forte para o menino e seu escudo. E naquele minuto final... ninguém sorriu...

Escrito por NI-GUARÁ às 01h37
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19/02/2005


       -  AÍ... CADÊ MINHA CAMA! CADÊ MEU SOM? CADÊ O CIRCO? E QUE FUTUM DE DESFEDORANTE É ESSE... –Francisco olhava para os lados sem sequer entender até que uma voz melodiosa e sensual o responde.

-         Você está em minha casa. Seja bem vindo à caverna do sonhar...

Com toda a educação que seus pais aviam lhe dado antes de morrerem ele responde:

-         AAAAAAAHH....UM DRAGÃO!!!  SÃO JORGEEEEE!!!!! DESCE O RAIO QUE EU ACHEI MAIS UM! – tentando correr ele percebe que algo mudou drasticamente em seu corpo e toma um tombo caindo do ninho feito de palhas, plumas, madeira e carcaça e corpos mortos.

-         Se acalme e tudo será explicado com o tempo. Meu nome é DRACON YELLOY, mas pode me chamar de DANI – ela responde com um belo sorriso e o ajudando a se levantar com a unha.

-         CADÊ A GISELDA? – ele pergunta aflito olhando para um dos corpos caídos no chão, de igual para igual.

Levantando uma das sobrancelhas  sem entender, pergunta:

-         Quem é Giselda?

-         MINHA BONECA INFLÁVEL! CADE ELA? – olhando quase chorando.

Com toda a sabedoria que seus 2000 anos puderam lhe oferecer ela responde:

-         Eu acho que as coisas não são mais como você imagina menino. As coisas mudam. – com um piscar de olhos aparece um espelho na frente dele.

Como toda a realidade dói quando mostrada nua, crua, real e incondicional ele reagiu como qualquer garoto reagiria quando ver que seu corpo não é mais o mesmo. Mas, desta vez, ele estava muuuito diferente...

-     NAAAAAUUUUUUUUMMMMMMM........... - e desmaia.

 

Escrito por NI-GUARÁ às 15h35
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FONTE: FRANCINE DESIGN.

Katrina Schmovitzen andava em sua Ferrari Prata pelas ruas de Miami apenas para fazer compras.

            Mulher bem sucedida na vida e dona de uma rede de casas noturnas, ela se adaptava bem às cores da moda e as futilidades úteis e inúteis que todo seu dinheiro podia comprar. Andava sempre na moda da estação e sempre quis ser conquistada por um príncipe encantado. Apaixonada pela vida e sempre de bom humor ela é  uma mulher difícil de se domar e impossível de se alcançar.

            Mas, naquela noite, enquanto as luzes dos holofotes, postes e letreiros em néon refletiam no vidro de seu carro e na lente de seu SpyBlack ela sentia que estava sendo observada. A cada esquina, em cada rua que passava, apesar de milhares de pessoas ricas passando, policiais, faróis, jovens gritando e berrando com seu som caro que papai deu.... algo a intrigava...

            A lua se escondia entre as nuvens....mas era hora de trabalhar.

 

Escrito por NI-GUARÁ às 15h19
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16/02/2005


A noite estava fria e úmida como de costume. O ar pesava no nariz como um copo de tequila tomado às pressas. Enquanto eu, Carlos Alvarado, arrumava a mochila de caça algumas lembranças vinham à tona como uma onda do passado que me persegue.

            Ainda vejo aquele rostinho rosado correndo entre a relva da mata atlântica... rindo do nada e sorrindo por existir neste maldito mundo cruel. Sua voz é como um anjo em minha consciência remota, um querubim voando baixo entre os homens com cabelos cacheados loiros.

            Eu disse para ela não ir para longe mata a dentro mas ela queria voar...  voar onde nenhum homem, ser ou besta selvagem jamais tinha chegado. Quando dei por mim apenas ouvi seu pequeno grito no meio daquele inferno verde.

            Na beira da Cachoeira do Beiço Grande meus olhos viram o inexplicável e se tornaram a causa do que sou hoje... Michele tinha cinco anos... Minha filha não poderia mais voar...

 

 

            

 

      

Escrito por NI-GUARÁ às 00h28
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